ALIÁS, COMO VAI BRASÍLIA?

Muito mal, dizem os moradores e eleitores da Capital Federal. À época das eleições, após o desastroso governo de Agnelo Queiroz, imaginávamos que poderíamos escolher um candidato que realmente representasse o brasiliense.

A disputa feroz e repleta de denúncias nos levou a optar por aquele que, mesmo embaralhado com o Partido dos Trabalhadores, vivia na cidade desde a infância e parecia ser o melhor. Menino criado debaixo dos pilotis das quadras de Lúcio Costa, jogando futebol no gramado, era perseguido por fiscais que o fazia correr mais do que o Bolt.

Frequentador das quebradas e botecos, o menino virou homem e se fez político. Deputado Distrital, Federal, senador e governador, Rodrigo fez carreira com votos não se sabe bem de onde procedem, mas, afinal, com jeito de bom moço, conseguiu fazer uma das mais rápidas e transparentes carreiras políticas da história de Brasília. O fato é que o governador, com a ineficiência dos mais pueris personagens, exerce o seu mandato com se fosse invisível, pois raramente é visto nos locais que frequentava como brasiliense, divulgando suas idéias nas  rodas de conversas com aliados e interesseiros. O governo é tão ignorado pela população que, para divulgar seus poucos feitos, convocou o mago Paulo Fona que, com habilidade, transformou Roriz no adorado governador que fez de Brasília uma metrópole nunca antes imaginada por seus criadores.

A nossa política destacou-se, no início, por não estar envolvida com os “Anões do Orçamento”, como livre de corrupção. Afirmávamos de cabeça erguida que os corruptos vinham de fora. Triste destino este nosso: alguns dos eleitos se transformaram em meros representantes de corporações, instituições ou empresas, daí a composição parlamentar que é eleita quase totalmente por funcionários públicos de várias áreas, religiosos, empresários ligados a prestadores de serviços ao governo, e pilantras de várias espécies que enchem os bolsos com dinheiro desviado do erário.

Os governadores eleitos democraticamente nunca apresentaram ao eleitor um “Plano de Metas” como o fez Juscelino Kubitscheck que construiu Brasília em pouco mais de três anos e a inaugurou na data prevista. Desde então, a maioria dos eleitores escolheram nossos dirigentes pelo carisma, promessas, mentiras, desfaçatez, em troca de lote ou, simplesmente dinheiro.

É chegada a hora dos brasilienses se organizarem para exigir dos candidatos programas viáveis de serem executados dentro da lei e em benefício da população.

É chegada a hora de olhar os candidatos nos olhos e não escolhe-lo pelo melhor programa de televisão ou fala descontraída e falsa. Dados de pesquisas mostram que nas regiões administrativas poucos foram os eleitos com votação expressiva da própria cidade. É péssimo para os eleitores não buscarem nomes de consenso para exigir dos partidos políticos legendas para disputar as eleições que estão muito próximas. Num piscar de olhos a campanha irá começar.

Escolham lideranças, examinem as suas vidas pregressas, compareçam às reuniões mesmo sem serem convidados, façam de suas ruas uma fonte de cidadania; liderem, ou sejam bons liderados. É assim que se constrói um país, um estado, um município; uma eficiente administração regional.

Quanto ao governo que se esvai, é de se lamentar mais uma vez o erro nas urnas e tocar a vida.  De concreto sobre as ações do governador Rodrigo posso dizer que vi uma ação me chamou a atenção: durante anos, talvez mais de dez, na curva em frente a Casa do Candango, havia um protetor retorcido depois de batidas de veículos. Até parei para fotografar; o protetor estava  restaurado. De resto, o governo, até quando faz coisas boas, estimula reações contrariadas da população. Aliás, nunca se viu governo tão ruim!

Brasília 08 de fevereiro de 2017.

Paulo Castelo Branco.

Publicado no “Congresso em Foco” www.congressoemfoco.com.br – 09 de fevereiro de 2017. Autorizada a publicação com indicação da fonte.