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CONFISSÕES

 

CONFISSÕES

Na viagem da presidente Dilma para reunião da ONU, que coincidiu com a presença do Papa Francisco em território norte-americano, viu-se a presidente ouvindo, com muito interesse, a fala do líder religioso, a ponto de usar o fone de tradução simultânea para não perder nenhuma palavra que pudesse servir ao seu tormentoso momento político e pessoal.

Dilma, solitária, levou junto com ela a única filha, que é, segundo os princípios religiosos, aquela que deve honrar pai e mãe. A filha é a sustentação para que a presidente não desmonte como já ocorreu com o seu governo.

Segundo fontes do clero, Dilma teria solicitado à Santa Sé um encontro reservado com o Papa. Questionada sobre o assunto que desejava tratar, a presidente respondeu que queria se confessar,  pois imaginava que, com o fim dos tempos, era chegada a hora de se livrar dos seus pecados. O cardeal, encarregado de resolver estas questões, alegou que o Papa estava em missão política e de evangelização e que a confissão poderia ser feita a um dos religiosos que acompanham o santo padre. Dilma, com o seu jeito especial de ser, pensou em mandar o cardeal para o inferno; mas desistiu e colocou em prática a sua experiência com os aliados do Congresso Nacional e ainda  propôs destinar algumas áreas dos conjuntos do "Minha Casa, minha vida" para a construção de templos católicos. O cardeal recusou a oferta, afirmando que a Igreja Católica não mistura religião com política, e que seus templos são construídos desde tempos imemoriais com seus próprios recursos, e sem explorar a fé dos crentes.

A conversa estava quase chegando a uma discussão, quando Francisco, o paciente, saindo de uma sala, ouviu parte do entrevero e o interrompeu, perguntando do que se tratava. Dilma se adiantou e, com lágrimas nos olhos, disse que precisava se confessar, pois não o fazia desde os tempos de colégio em Belo Horizonte. Francisco, sensibilizado, abriu mão de um breve descanso, e, com um sorriso de Maradona nos lábios, convidou a fervorosa devota a segui-lo a um outro recinto.

Acomodados em uma dessas poltronas namoradeiras, o papa fez o sinal da cruz e disse: - Fale, minha filha, das suas angústias e pecados. Lembre-se que o que disseres estará em segredo por toda a minha vida. Abra o seu coração!

Dilma, em tom emocionado, relatou todos os pecados cometidos. Era um rol tão extenso que Francisco precisou interrompê-la, pois precisava atender a outros compromissos. - Filha, a maior parte dos seus pecados não são os considerados capitais; acho, porém, que devem ser afastados das suas ações, afinal, mentir sobre questões tão importantes para o seu povo não  é caminho para se chegar a um julgamento justo. A presidente disse que estava quase se livrando deste mal, porém ainda não podia prescindir de contar inverdades para garantir o seu mandato. Francisco  estampou na face, desta vez, um sorriso parecido com o do Messi.

- Minha filha, disse Francisco já desconfortável com a confissão interminável, gostaria de dar-lhe perdão pelos pecados cometidos, no entanto, a minha missão de compreensão dos males que atingem a humanidade não permite que  me afaste do compromisso que tenho com os dogmas da minha religião e digo isto porque sei que você, nas eleições de 2014, para vencer, teria feito um pacto com diabo, afirmando que "Podemos fazer o diabo quando é hora de eleição" e, ainda, sobre a recessão da economia, repetiu que "até o final do ano vou fazer o diabo para fazer a menor recessão possível". Só estas duas declarações e a sua conhecida falta de fé religiosa  impedem-me de perdoá-la, enquanto você não se arrepender de tais condutas. Aliás, há poucos dias, li que o ex-presidente Fernando Henrique, outro ateu, afirmou que você teria feito pacto com o demônio; e ele sabe o que diz. Assim, só posso dizer: - Vade retro!

Brasília, 26 de setembro de 2015.

Paulo Castelo Branco.

O CHEFE DA TORCIDA, O CHEFE DA QUADRILHA E O PALHA

O CHEFE DA TORCIDA, O CHEFE DA QUADRILHA E O PALHAÇO.

As manifestações contra o governo oferecem a oportunidade de autoridades se pronunciarem a respeito dos variados temas. Um dos que se destaca é o ministro Edinho Silva, escolhido para arrefecer o ânimo das oposições, com a expressão natural de um ilustre desconhecido da população.

O povo brasileiro mantém na memória as agressivas manifestações de grupos ligados ao Partido dos Trabalhadores que saiam às ruas gritando “FORA TUDO”, “FORA TODOS”, depredando bens públicos e privados, além de agredir fisicamente pessoas interessadas nas privatizações de setores ineficientes e deficitários do Estado. As imagens de pontapés desferidos contra empresários geradores de empregos e pagadores de impostos ainda é viva na mente do povo.

Agora, dirigentes do Partido dos Trabalhadores, no poder há 13 anos, depois de levar o país à bancarrota, em entrevistas apáticas ou arrogantes criticam as manifestações, afirmando que se trata de movimentos da minoria insatisfeita com o governo que, segundo eles, encheu a panela do povo de comida e o livrou da miséria.

Ninguém duvida da inclusão social desenvolvida no período, porém, se houve a inclusão, também ocorreu a descoberta do processo de corrupção que é divulgado diariamente, causando no brasileiro a maior vergonha desde tempos imemoriáveis.

O trabalhador de ontem está se transformando no desempregado de hoje, e sabe que, dentro de poucos meses, deixará de receber os auxílios oficiais por falta de recursos. Além disso, o empréstimo consignado que gerava ilusões nos assalariados e aposentados agora é o lobo-mau que assusta a todos.

A desqualificada afirmação de um dos líderes do governo sobre a fala do sociólogo Fernando Henrique Cardoso – craque em Brasil e em política – é digna de “Comandos Futebolísticos” que enchem os estádios de violência e medo. FHC, um dos chefes da oposição, está torcendo mesmo é para o fim do destrambelhado governo que, na verdade, é, como diria Ulysses Guimarães, um governo que não governa e uma presidente que não preside.

O palhaço, artista de rua, é personagem lembrado por manifestantes que usam  nariz de plástico como símbolo de revolta contra o governo. Recentemente, o palhaço Tico Bonito fazia uma apresentação em um festival infantil em Cascavel, Paraná, e, após críticas políticas e democráticas sobre comportamentos policiais e a atuação do governador Beto Richa, foi preso por desacato à autoridade. É o fim da picada, especialmente por ser em Cascavel.

O governador Beto Richa tem sido vítima de excessos policiais praticados em seu governo. Já foi assim na greve dos professores, e o episódio do palhaço, reforça a impressão de que o país pode prescindir de políticos da seriedade e competência de Richa. O governador , reeleito com expressiva votação, dias após a posse, foi atingido por uma greve legítima, combatida com violência pela polícia. Agora, como procedeu anteriormente, o governador determinou a abertura de inquérito para apurar as responsabilidades das autoridades, ditas desacatadas, e defendeu a liberdade de expressão, considerando que não viu na fala de Tico Bonito qualquer sentido de desacato. É isto que se espera de um governante: meter o dedo na ferida e ser sincero nos seus procedimentos. Não dá para tergiversar e enrolar o povo.

Hoje, com as redes sociais, as imagens são irrefutáveis e publicadas imediatamente. Mentir, esconder, manipular, corromper e não reconhecer erros deixaram de ser simples verbos para se transformar na repulsa dos brasileiros aos seus governantes.

Sobre o chefe da torcida e o palhaço foi fácil discorrer, o difícil é falar sobre o chefe da quadrilha que ninguém sabe quem é, mesmo que inflado.

Brasília, 20 de agosto de 2015.

Paulo Castelo Branco.

Publicado no Diário do Poder em 20.08.2015  - www.diariodopoder.com.br

Autorizada a publicação com indicação da fonte – www.blogpaulocastelobranco.com.br

 

 

 

 

 

 

 

CIRCUNLÓQUIOS

CIRCUNLÓQUIOS

"De circunlóquios nada sei, o caso conto como o caso foi, na minha pena de constante lei, patife é patife, boi é boi." (Jornal o “Paraense” século XIX)

 

A atuação do vice-presidente Michel Temer, como  articulador político do governo, abre caminho para uma solução segura de governabilidade. O Brasil precisa se livrar dos malfeitores que assaltaram o poder e os cofres públicos, e só com espírito público será possível harmonizar as relações entre os vários caminhos a serem percorridos até o controle da economia e da recuperação moral do país.

A ocupação do Congresso Nacional por grupos corporativos e radicais empenhados em leis para melhorar as condições de cada setor tem levado as casas legislativas ao embate infrutífero que paralisa a função precípua que é legislar em prol do povo.

No Congresso Nacional são muitos parlamentares eleitos com os votos de trabalhadores, especialmente públicos, em busca de aumentos salariais, aposentadorias precoces, horários reduzidos e outros benefícios que não são estendidos aos demais trabalhadores e aposentados, esta prática nos levará, no futuro próximo, ao mesmo destino de países como a Grécia. Já passamos por esta situação, e é dever dos governantes não permitirem que as novas gerações regridam até a falência do Estado.

É notório o crescimento de bancadas específicas de representantes da segurança pública, da saúde, da educação, da justiça e de setores religiosos que exigem e conseguem ver atendidas as suas reivindicações

Além disso, a anomia da maioria dos parlamentares se deixa levar por fictícias lideranças em troca de aprovação de leis inócuas que causam danos irreparáveis aos interesses gerais. Basta acompanhar as imagens das sessões do Senado e da Câmara para conhecer a realidade do processo legislativo.

Nas diversas e numerosas comissões, o quadro não se modifica. Quando a questão em debate é importante e urgente, os parlamentares sobem o tom dos discursos e afastam a possibilidade de acordo. Os projetos de leis são arquivados sem solução.

Para que se chegue aos nomes daqueles que se impõe com a força do voto e da liderança pessoal, é necessária a avaliação das indicações por eles exigidas para postos de relevância na máquina pública. Os cargos comissionados existentes em ministérios, agências reguladoras e empresas públicas que deveriam ser ocupados por funcionários concursados ou profissionais de notório saber em cada área são destinados às indicações políticas.

Recentemente, um inexperiente candidato a cargo em agência reguladora compareceu ao Senado Federal e foi aprovado quase que por unanimidade, diferentemente da exaustiva sabatina a que foi submetido o jurista Edson Fachin, em situação exemplar que animou o povo com a possibilidade de  novos tempos na escolha de  indicados para o exercício de funções públicas. O fato acima é ficha pequena na política brasileira e serve apenas para demonstrar que é fácil fraquejar. A realidade é outra e muito pior; é a corrupção institucionalizada para todos os lados levando-nos à beira do abismo.

Nesses tempos, parece que no país só existem a Polícia Federal, o Ministério Público e a Justiça;  as operações policiais são tantas que o frasista oficial está esgotando os nomes rebuscados e terá que partir para palavrões como o dito pelo senador Collor da tribuna do Senado. Em breve, é possível que a derradeira operação receba o nome significativo de "Operação Filhos da Puta", para identificar os últimos corruptos conhecidos que estarão indo para a cadeia.

Depois deste dia, com o fim da mais democrática e transparente ação contra o assalto aos cofres públicos, esperamos ver a proliferação de medidas preventivas determinadas por outros juízes federais e estaduais, agindo com o mesmo rigor do magistrado Sérgio Moro para impedir ou dificultar a corrupção desenfreada. Nessa quadra, o mais requisitado advogado será o especialista em delação premiada. O campo está aberto.

Estamos em época de invernada, e poucos bois podem ser identificados; os patifes, não preciso nominá-los, estão na boca do povo, e não são da boca para fora. No dia 16 de agosto, seus nomes estarão em faixas nas manifestações e logo serão afastados do poder.

Brasília, 11 de agosto de 2015.

Paulo Castelo Branco.  Publicado no Diário do Poder em 11.08.2015 – www.diariodopoder.com.br

Autorizada a publicação com indicação da fonte – www.blogpaulocastelobranco.com.br

É PRÁ LEÃO

É PRÁ LEÃO

Há dias vive o pesadelo de ser acordado pelo som do interfone. Andava tão assustado que já não queria dormir, só para não levar o susto de ouvir a frase: - Abra a porta, Polícia Federal!

Pediu ao Japa para encontrar um endereço em que pudesse ficar mais próximo do Fórum da Justiça Federal em Curitiba.O eficiente e também assustado assessor apresentou-lhe algumas opções nos arredores da Praça General Osório, a duas quadras da boca do leão. Escolheu o Hotel Tibagi, na Alameda Dr. Carlos de Carvalho, exigindo, naturalmente, a suíte presidencial.

O modesto hotel preenchia todos os requisitos para uma breve estada; de frente para a rua e com acesso fácil ao comércio. Determinou que o apartamento ao lado fosse ocupado pelo assessor, só ele.

No domingo, após assistir ao jogo do Flamengo e Santos, sem desligar a rádio que avisa que em vinte minutos tudo pode mudar, foi para a janela da suíte. Com copo de uísque e gelo nas mãos, se sentou num tamborete de onde tinha visão privilegiada da área.

Estranhou um jipão que passava lentamente pela rua deserta, puxando o corpo de um leão enorme. Não reconheceu o animal, mas sentiu que tinha algo a ver com a sua vida, pois se sentia caçado como se fosse selvagem. Sabia que não era assim, pois, desde os tempos mais sofridos, havia se tornado dócil e hábil no contato com as pessoas. É claro que, quando se sentia acuado, partia para o ataque e chamava o seu exército mambembe para intimidar a quem quer que seja.

Ficou na janela até o sol nascer, quando, novamente, o jipe surgiu na esquina. Desta vez, não teve dúvidas de que o corpo arrastado pelo veículo não era de um animal, era, sim, de um dos seus mais próximos aliados. O homem, ainda vivo, olhava para cima e fazia um sinal de dedo em riste, demonstrando que não iria só para o sacrifício; tentou tirar os olhos da cena, mas não conseguiu. O jipão sumiu na esquina da quadra do fórum.

Atordoado, desceu do tamborete e foi ao banheiro. Levantou a tampa da privada, ajoelho-se e colocou para fora o álcool que o anestesiava. Ficou ali por algum tempo. A rádio anunciou a nova prisão do seu destemido auxiliar. Estava confirmado o sonho que imaginava ter tido sobre o leão morto e arrastado; na verdade, não era sonho, era pesadelo.

Tomou dois comprimidos para dormir, e adormeceu. Acordou na terça-feira com o som estridente da campainha. Em pânico, abriu a porta; era o Japa que foi logo dizendo: - Acabo de receber a informação de que o nosso amigo firmou compromisso de delação premiada. – Não acredito. Desde a juventude ele segue o princípio de morrer mas não delatar seus companheiros. Você mesmo sabe disso. Japa se calou e saiu.

As notícias da rádio indicavam que seu parceiro da comunicação estava entre os presos da operação policial. Ficou na janela olhando o prédio do fórum e o movimento na rua. A todo instante passava um jipão arrastando alguém. Achou que estava delirando; estava.

A noite se aproximava, e ele imaginava o que aconteceria na quarta-feira: a campainha tocaria e, ao perguntar quem era, ouviria a frase aguardada: - Polícia Federal, abra a porta. À sua frente, estariam dois jovens; um de uniforme preto e o outro de terno de igual tonalidade.

– Temos aqui um mandado de prisão preventiva. Enquanto fazemos busca e apreensão de documentos, o senhor pode trocar de roupa. Ele responderia: - Você sabe quem sou eu? Fui presidente da República! O jovem policial responderia: - Não me lembro do senhor, sou de outra geração. Eu só tinha quinze anos quando o senhor deve ter sido presidente, e daí?

Com a frase final na cabeça, saiu do hotel, andou trezentos metros e entrou no fórum. Jornalistas e funcionários ficaram paralisados. Subiu até a Vara Federal, entrou, e, à frente do juiz disse: - Estou me apresentando a vossa excelência para usufruir dos benefícios da “delação premiada”. Um funcionário que assistia a cena exclamou: - Esta dose é prá leão!

Brasília, 3 de agosto de 2015.

Paulo Castelo Branco

Autorizada a publicação com indicação da fonte - www.blogpaulocastelobranco.com.br

 

 

 

VERDADES SECRETAS

VERDADES SECRETAS

Madrugada e o ancoradouro da Ermida Dom Bosco está vazio. O frio de fim de julho afasta até os amantes que buscam o local para trocar juras de amor. Um carro negro se aproxima das margens do Lago Paranoá e, dele, desce um homem vestido em roupas escuras, inclusive com capuz sobre a cabeça. O homem, em passos curtos e vacilantes caminha até onde está parada uma lancha também escura. Entra no barco, senta-se lentamente como fazem as pessoas idosas. O veículo se move rapidamente para o outro lado do lago. O homem é recebido formalmente e se acomoda em um desses carros elétricos usados em campos de golfe. Chega ao palácio que está parcamente iluminado, e um segurança observa tudo com binóculo infravermelho, sem conseguir identificar o visitante.

Na outra margem do lago a mesma operação se repete para receber outra pessoa com as mesmas características só que mais alto e com andar mais seguro que o seu antecessor. O ritual se repete até o homem sumir no palácio.

Em seguida, é a vez de um personagem vestido com longa capa preta. Pelo andar, parece ser jovem. Trás na mão direita uma valise volumosa. Entra na lancha e, também, some na escuridão das árvores que cercam o palácio.

O insone morador do condomínio permanece em sua poltrona sem perceber que acabou de assistir a uma parte da história que mudará o país.

Na sala de reunião do palácio, a presidente, após cumprimentar cada convidado, com os cuidados protocolares, submete aos presentes a intenção de gravar a conversa que iniciarão e que poderá ser fundamental para a estabilidade política do país. Todos concordam. A presidente liga o gravador e diz:

­- Senhores, obrigado por aceitarem o meu convite para participar desta reunião. Não desejo que imaginem estejamos iniciando uma conspiração contra o sistema que nos encaminha para o caos. Na verdade, o meu desejo é que, com a ajuda dos senhores, possamos mudar o rumo da nossa história e transformar o país em uma grande nação. O meu reconhecimento aos dois ex-presidentes presentes que, sem dúvida, contribuíram para a consolidação da democracia e da estabilização da economia. Agradeço, ainda, ao jovem magistrado que nos atendeu prontamente ao ser informado da pauta da reunião. Para que conste nos anais da história, e com a garantia de tornar a gravação secreta por vinte e cinco anos, solicito-lhes que pronunciem seus nomes completos e o período em que governaram. Farei o mesmo.

Após o preenchimento da formalidade, a presidente iniciou a sua fala:

- Quando fui escalada para ser a candidata à sucessão presidencial, assustei-me com a responsabilidade que me seria imposta, especialmente por eu nunca ter sido submetida às urnas e não imaginar qual seria o meu desempenho no exercício da presidência, se viesse a ser eleita.

Pois bem, os senhores sabem sobre o meu passado de luta contra a ditadura. Muitos dizem que eu desejava trocar uma ditadura militar por uma comunista. Não é verdade, o que eu pretendia era uma sociedade mais justa e sem corrupção; sonho de adolescente.

Na presidência, rodeada de especialistas em enrolar o povo, tentei colocar para fora do governo políticos habituados a surrupiar recursos públicos. Não consegui. Fui envolvida no turbilhão do poder e tive que recuar. Sei que, para garantir a minha reeleição, orientada por marqueteiros e políticos de má-fé, tive que mentir.

Tenho sofrido muito com tudo isto que aí está, e que assumo ser da minha responsabilidade. Quero esclarecer alguns pontos da minha atuação para que melhor compreendam o meu convite que não é um desabafo; é um compromisso.

A minha tática tem sido agir como agem os “Juízes para a Democracia”; busco na lei e nos procedimentos políticos a melhor forma de afastar e punir os corruptos. Com este sistema, sofro pressão de meus auxiliares, mas evito ceder totalmente aos interesses escusos. Com isto, assistimos, por inércia em alguns casos, e por isenção na maioria deles, à prisão de corruptos nunca vista em nossas paragens. É claro que ainda faltam vários a serem excluídos do jogo político, e creio que em algum momento teremos atrás das grades ou homiziada em algum país desmoralizado a cúpula do poder que nos domina. Este é o meu compromisso com os senhores, de quem espero a concordância para seguir nesta sinuosa missão, e o apoio quando o país ficar estarrecido com a inevitável extirpação do mal que nos assola.

Os convidados, perplexos, aquiesceram em apoiá-la no momento certo, garantindo-lhe, se atingir a sua meta, uma retirada segura para um país civilizado e democrático.

Brasília, 28 de julho de 2015.

Paulo Castelo Branco

Publicado no Diário do Poder  28.7.2015  www.diariodopoder.com.br Autorizada a publicação com indicação da fonte www.blogpaulocastelobranco.com.br @paulocastelobranco

 

 

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