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O INTELECTUAL E O ILETRADO

O INTELECTUAL E O ILETRADO

Dizem por aí que um tal de Lula autorizou seus lacaios a procurar Fernando Henrique Cardoso para uma conversa sobre o futuro do Brasil.

O primeiro enviado especial deve ter batido com a cara na porta. Os demais talvez não tenham passado da portaria do prédio, onde o porteiro, ao saber da intenção do tal de Lula, deve ter  oferecido um exemplar do " Diários da Presidência - 1995-1996" e recomendado que o tal de Lula, se tivesse disposição,  verificasse nas páginas do volumoso exemplar, o que FHC, naqueles tempos, gravava sobre o ex-político que participara de grandes momentos da redemocratização do país.

A primeira menção a Lula  é de uma conversa de FHC com o Francisco Weffort à época da formação do ministério: Disse Fernando Henrique  - "Olha, Weffort, acho que seria muito importante nós mantermos uma relação muito fluida com o PT porque há problemas nacionais que nós temos que levar em conjunto" Weffort, respondeu: - " Você sabe, eu estou muito distanciado das posições do PT, já disse isso ao próprio Lula".

Pela conversa, é fácil notar que FHC, desde sempre, queria manter relação política com o então líder do Partido dos Trabalhadores que, derrotado, mantinha, por parte do presidente, prestígio.

Em seu relato sobre uma manifestação da Central de Movimentos Populares, capitaneada pela CUT, FHC faz o comentário da hora: " O Lula posando outra vez de herói nacional e, no "Estado de São Paulo", a fotografia dele na coluna da Cristiana Lôbo com uma frasezinha: " Ser professor de ciência política não significa saber política. Enfim, essa coisa deprimente, essa mediocridade que faz com que gente que não tem proposta para o país encontre acolhida na mídia. Bobagens ditas com ar de grande sabedoria. Enfim, o que podemos fazer? Nascemos aqui, vamos enfrentar o Brasil tal como é. O mundo é assim."

Pois é, como já disse nosso poeta Drummond, "Mundo mundo vasto mundo, se eu me chamasse raimundo seria uma rima, não seria uma solução". As falas de FHC sobre o Brasil de hoje talvez fiquem para a posteridade, pois o ex-presidente ainda tem muito a publicar sobre o seu período de governo, o que, com certeza,  irá desmascarar o causador do maior desastre político em tempos democráticos do Brasil. Como Fernando Henrique poderá conversar com Lula sem deixá-lo ouvir as gravações que fez sobre o operário que ficou rico, fazendo palestras sem nunca ter se dedicado à leitura e à reflexão?

O mal que Lula causa e causou ao Brasil, não só no momento atual, mas, especialmente quando se travestiu de deus e achou que havia criado o céu e a terra, é o ponto complexo de uma impossível conversa republicana.

A corja que o acompanhava e que hoje vive sob  custódia judicial recebem do líder as melhores referências e homenagens como se fossem revolucionários em busca de novos tempos para o povo; de fato, o que os governos do Partido dos Trabalhadores ofereceu  foi uma festa em que os convidados se empanturraram de comida e bebida e, no final, tiveram desarranjo intestinal e acabaram em coma. É assim que os eleitores do grande programa social se sentem; e não só eles, também os demais brasileiros, mesmo sem participar do banquete, ficaram doentes só de olhar o desatino praticado por Lula e Dilma.

A presidente, que imaginávamos afastada da corrupção e da roubalheira, se tornou refém do tresloucado Lula, e, agora, não pode nem renunciar à presidência, pois, se o fizer, e Lula for preso , certamente o seu mentor,  para reduzir a sua suposta pena, aceitará uma proposta de delação premiada e carregará até as profundezas do pré-sal os seus mais fiéis companheiros, inclusive ela. O foro privilegiado é uma excrescência, mas, nesta hora, serve para prolongar um pouco mais o poder.

Paulo Castelo Branco.

Publicado no “Diário do Poder” em 23 de novembro de 2015.

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BREAKING THE SILENCE

BREAKING THE SILENCE

Caetano Veloso publicou, na Folha de São Paulo em 8 de novembro, artigo em que relata a sua viagem a Israel e à Cisjordânia. Caetano diz que recebeu pressão para não se apresentar em Tel-Aviv por conta da política de opressão aos palestinos e ocupação de suas terras por israelenses.

Como presidente da “Comissão Paz na Palestina”, do Conselho Federal da OAB, estive em visita à Palestina a convite da Palestinian Bar Association e, juntamente com o advogado Carlos Mário Velloso Filho, constatei a dura realidade daquele povo milenar que sofre, a todo instante, a intervenção da força militar israelense contra os seus jovens. São estes jovens, hoje chamados de “terroristas”, que crescem sem expectativas de liberdade e democracia; desde a infância têm seus passos controlados à força bruta e, quando se sentem fortes o suficiente para enfrentar meninos israelenses que, desde a infância, são preparados para dominá-los, saem às ruas para apedrejar os soldados armados até os dentes.

O confronto é inevitável; não que todos desejem que assim seja. Na verdade, existem israelenses que lutam pela desocupação das terras palestinas e buscam a paz. A paz que o mundo prega para a região, exceto o dirigente israelense e o seu pequeno grupo de radicais que insistem em destruir as famílias palestinas e os seus bens materiais.

O grupo de ex-militares israelenses que comanda o “Breaking the Silence” (facebook.com/BreakingTheSilenceIsrael/) nos acompanhou às cidades sitiadas, como Hebron, agora visitada por Caetano e Gil. É desolador ver a dureza do tratamento dado aos visitantes estrangeiros que se aventuram, como nós, a percorrer as ruas desertas da velha cidade.

É impossível acreditar que o governo de Israel, com o poderio bélico que possui, se possa mostrar atemorizado com as reações de palestinos que decidem morrer em prol do futuro de seus filhos. Não há que se falar em apoio às ações tresloucadas de indivíduos que praticamente se imolam ao atacar inocentes nas ruas de Israel. Mas as condições impostas por Israel são degradantes e provocam o rompimento de tentativas de moderação de autoridades mundiais que se desdobram em busca da paz na região.

O incrível é que os ditadores modernos continuem a oprimir a maioria de seus cidadãos e se apresentem ao mundo como democratas e defensores dos direitos humanos. Na verdade são déspotas que só pensam na realização dos seus feitos e vivem cercados de seguranças que impedem o povo de atingi-los e retirá-los do poder.

São governantes que corrompem, eliminam adversários, causam guerras e, quando as ganham, devolvem ao seu povo cidades destruídas e famílias marcadas pelas perdas dos entes queridos. Eles, afinal, entram para a história como cruéis personagens que nada de importante construíram.

Caetano, em seu texto, diz-se impressionado com a posição Yeshayahu Leibowitz cientista e religioso, que se posicionou contra ministro da Suprema Corte israelense que tinha tornado legal a tortura de indivíduos árabes para fazê-los falar e, assim, manter Israel protegido.

Diz Caetano: “Leibowitz não apenas foi um religioso que defendeu a separação entre religião e Estado e se antecipou aos inimigos de Israel ao detectar aspectos nazistas na política do país, mas também, mantendo-se sionista, opôs-se violentamente à Guerra dos Seis Dias e, mais ainda, à invasão do Líbano. Foi também pioneiro em fazer o paralelo Israel/África do Sul. Gosto de Israel fisicamente. Tel Aviv é um lugar meu, de que tenho saudade, quase como tenho da Bahia. Mas acho que nunca mais voltarei lá”.

Caetano abriu o caminho para que outros artistas também visitem Israel e a Cisjordânia e saiam de lá não com vontade de não mais voltar, mas com o propósito de retornar para defender a terra e os povos que simbolizam a redenção do ser humano. É ver para crer!

Brasília, 10 de novembro de 2015.

Paulo castelo Branco.

Publicado no Diário do Poder em 11.11.2015  - Autorizada a publicação com indicação da fonte. www.blogpaulocastelobranco.com.br

DIÁRIO DE DILMA

DIÁRIO DE DILMA

Na porta do avião que me levaria para a Suécia, um tucano, remanescente da gestão anterior a Lula, entregou-me um exemplar do diário do Fernando Henrique. Disse-me que ele havia pedido para que eu o lesse durante a viagem. Fiquei surpresa com a gentileza do ex-presidente, apesar de termos uma relação de respeito e admiração. Gosto dele, do seu jeito maneiro de lidar com os problemas que parecem insolúveis.

Após a decolagem, recebi telefonema de FHC. Avisava-me que, pela intensa participação de Lula na política, ele, como líder do PSDB, iria enfrentar o meu antecessor e rebater as suas aleivosias – foi esta palavra que ele usou e que achei muito moderada -, agradeci-lhe o livro e disse que esperava que preservasse a minha conduta pessoal. Ele não disse nada e despediu-se.

Devorei o texto e decidi, também, escrever um diário a partir da minha volta ao país. Farei uma introdução com as lembranças que guardo desde a primeira campanha presidencial e, depois, seguirei o dia-a-dia do meu governo. É claro que usarei  um gravador com tecnologia digital, para que não existam dúvidas sobre o que vivi e sofri nestes anos.

21.10.2015 – Depois da viagem à Suécia e Finlândia, onde vi o que são países desenvolvidos e civilizados, reuni ministros para que relatassem o que já sei. A crise é imensa. Lula telefonou para desabafar sobre os problemas que o afligem. Acho que está preocupado com as ações da Justiça. Pediu a demissão do Eduardo. Não respondi nada, mas não irei atendê-lo. O resto do dia foi só rame-rame.

22.10.2015. Antes da sete horas da manhã, Lula telefonou para desabafar sobre os problemas que o afligem. Acho que ele está preocupado com as ações da Justiça. Pediu a demissão do Eduardo. Não respondi nada; mas não irei atendê-lo. Os problemas continuam, e o presidente da Câmara insiste em conversar a sós comigo. Não aceito e determino ao Jacques que vá lá, pois ele, que foi ministro da Defesa, deve ter armas e argumentos para dissuadir o eficiente administrador de bens que, mesmo na lona, continua fustigando o meu governo. O resto do dia foi só rame-rame.

Não tive nada para anotar sobre o dia. Como sempre, jornalistas querem entrevistas, e políticos querem audiências para pedir alguma coisa. Como diz Fernando em seu diário, ser presidente é conviver com deus e o diabo. Onze horas da noite, e Lula telefonou. Eu já estava quase dormindo. Como sempre, o atendi. Lula reclamou que o Eduardo não faz nada para conter a Justiça que determina à Polícia Federal ações firmes contra corruptos e ladrões. Ouço em silêncio e digo a ele que o Eduardo é ministro da Justiça e não policial. Dou boa noite e desligo.

23.10.2015. Lula telefonou cedo pedindo a demissão do Levy e, para não esquecer, do Eduardo. Parecia amedrontado com alguma coisa. Hoje um assessor insistiu que devo receber uma fila de embaixadores que devem entregar suas credenciais. Digo-lhe que acho este tipo de evento um troço muito chato e o encaminho ao Michel para que, quando da minha ausência, receba os embaixadores. Ufa! Acho que me livrarei deste encargo.

O Michel ligou para dizer que não pode substituir-me numa questão de tamanha relevância, que são as relações exteriores. Desligo. O resto do dia foi só rame-rame.

24.10.2015 - Lula telefonou antes do café da manhã. Eu ainda estava escovando os dentes, e ele já estava resmungando. Pediu a demissão do Eduardo, do Levy e, de quebra, do Tombini. Entrou por um ouvido saiu pelo outro. Não irei demitir ninguém. Ele que ganhe a próxima eleição, se não estiver com a ficha suja. No resto do dia, levei o barco como Dr. Ulysses: navegando.

25.10.2015 – O Eduardo ligou antes do Lula para pedir demissão. Eu não aceitei, e ele disse que o Lula mandou recado para que ele peça demissão. Nos jornais, as notícias são desalentadoras. Pergunto ao Eduardo se ele sabe de alguma coisa sobre ações da Policia Federal. Ele, claro, diz que não. Logo em seguida,  Lula telefonou. Não pediu a demissão de ninguém. Estranhei , e perguntei o que ele queria; respondeu que estava muito animado com o desempenho do Corinthians. Fiquei desconfiada. Logo me liga o Jacques com recado do Lula,  pedindo a demissão do Eduardo e do Levy. O resto do dia foi o mesmo rame-rame.

26.10.2015. Estou desanimada hoje. Não atendi o telefonema do Lula. Acho que vou renunciar e ir viver na Suécia ou na Finlândia. Vou para casa ler e ouvir música.

27.10.2015. Hoje é aniversário do Lula. Liguei cedo, mas ele não atendeu. Chamei meu assessor de imprensa e gravei uma mensagem de parabéns,  puxando o saco do ex e mandei postar nas redes sociais. Ele nem se importou. Pedi ao Jacques que tente um contato, pois desejo ir a São Paulo para homenagear o meu mentor nos seus 70 anos de idade. Acho que ele nunca imaginou que chegaria tão longe. Quando cheguei,  o clima ficou como de velório. A família, sem os filhos que não compareceram sabe-se lá a razão, trataram-me com deselegância,  e Lula sorriu para fotografias ao meu lado. Não comi nada, como faziam os imperadores romanos.

28.10.2015. Lula telefonou antes das 6 horas da manhã. Atendi imediatamente,  imaginando que ele, septuagenário, amansou a alma e iria agradecer a minha presença na festa. Qual nada, pediu-me a cabeça do Eduardo, do Levy, do Tombini, do Dunga, do Rollemberg, do Moro, do Fernando Henrique, do Teori, e de todos os membros do Ministério Público e da Polícia Federal; parecia um caçador do EI cortando cabeças. Eu, assustada, não disse nada, e ele, furioso, pediu a minha cabeça. Você perdeu a cabeça? Perguntei.

Brasília, 28 de outubro de 2015.

Paulo Castelo Branco.

Publicado no “Diário do Poder” – www.diariodopoder.com.br Autorizada a publicação com indicação da fonte  www.blogpaulocastelobranco.com.br

 

 

PEDALADAS, BOLSAS, CASAS E SOBREVIVÊNCIA = POPULISMO

PEDALADAS, BOLSAS, CASAS E SOBREVIVÊNCIA = POPULISMO

Vale tudo para ficar no poder! A prática desenvolvida pelos dirigentes do Partido dos Trabalhadores para garantir o poder, utilizando o povo como massa de manobra, é um dos artifícios comumente usados por governos populistas que estão voltando a dominar países em desenvolvimento com resultados nefastos.

No nosso caso, emblemático pelas dimensões do país e por sua economia classificada como uma das mais fortes mundialmente, desde as eleições democráticas que Lula, líder maior do partido e interventor mor no governo Dilma, buscou eleger-se para mudar a desigualdade social e implantar uma nova forma de governar, tirando da miséria milhões de brasileiros.

Em três eleições Lula foi derrotado e, como ele mesmo afirma, foi para casa lamber suas feridas. Vencedor na quarta tentativa, comandou o país por dois mandatos, elegeu e reelegeu sua sucessora e, agora, a ajuda a afundar os princípios elementares da ética, o trabalho desempenhado por seus antecessores na estabilidade econômica e social e, o que é pior, ajuda a encobrir os desmandos que seus companheiros mais próximos praticaram contra os cofres públicos.

Lula, invés de ficar apregoando as vantagens de conseguir votos com programas sociais que não oferecem saída aos seus beneficiários, deveria incentivar o seu próprio exemplo de gente humilde e miserável que, com a ajuda dos governos através do Sistema S de atendimento ao trabalhador, se qualificou e deu vida digna à sua família, construindo uma história na vida pública que, até recentemente, orgulharia qualquer família.

A prática de entregar a casa, a comida, a luz sem qualquer retribuição do cidadão, o leva a uma situação deprimente, como já cantava Luiz Gonzaga, o Mestre Lua – nordestino como Lula e também vencedor – “Mas doutô uma esmola a um homem qui é são/Ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão”. Os pobres desejam trabalho, estudo e saúde, e é dever do estado garantir-lhes meios de sobrevivência e não dominá-lo pelo cabresto.

As justificativas que hoje Lula dá, pressionado pela possibilidade de Dilma ser afastada do poder e, por consequência ele também, o faz declarar que a presidente “pedalou” para pagar o Bolsa Família e o “Minha Casa, Minha Vida”.

Esta fala do ex-presidente é demonstração inequívoca da incompetência do governo em obedecer a “Lei de Responsabilidade Fiscal” e cumprir a Constituição. A decisão unânime do Tribunal de Contas da União contrária à prestação de contas do governo, sustentada em voto tecnicamente irrefutável do ministro Augusto Nardes, comprova a velha tese de que ao homem não se dá o peixe, e sim a vara e o anzol para que aprenda a buscar o seu próprio sustento.

A volta de Lula às páginas políticas, aconselhando a acuada presidente para que ela busque se aproximar da população e dos movimentos sociais é simplesmente querer torrar o que resta de apoio que Dilma tem, pois, os sete por cento de aprovação são, sem dúvida, daqueles que ainda se beneficiam das pedaladas ou exercem algum dos milhares de cargos comissionados no governo, e que logo estarão desequilibrados e caindo de patamar, voltando a esperar a eleição de novos governantes compromissados com o futuro do país e não com o imediatismo característico dos populistas.

Brasília, 13 de outubro de 2015.

Paulo Castelo Branco.

Publicado no Diário do Poder em 14.10.2015 – www.diariodopoder.com.br Autorizada a publicação com indicação da fonte  www.blogpaulocastelobranco.com.br

 

 

O MUNDO É "CARAMUJO"

O MUNDO É "CARAMUJO"

A violência desenfreada que nos atinge é bem representada pelo ataque de bandidos a um casal carioca que, por engano, entrou na comunidade “Caramujo” em Niterói, RJ. A mulher de setenta anos de idade foi morta, e o marido, também idoso, espancado. O veículo, orientado por GPS, foi atingido por cerca de trinta tiros de fuzil.

Os quase 60 mil assassinados no Brasil deixam de queixo caído pesquisadores de todo mundo que se dedicam a apurar as causas de mortes violentas. Nossos números superam mortes causadas por guerras, mas parece não nos assustar. A população já passa sem olhar por cadáveres expostos nas ruas. Parece que está tudo normal.

A morte já não é motivo de revolta e está acompanhada da morte da ética e da moral. Esta constatação é reforçada pela anomia que se alastrou pelo país, até mesmo nas manifestações populares contra o descalabro e desfaçatez de alguns governantes. As reações deixaram de ser fortes para se tornarem algo como a programação do “Porta dos Fundos” que transforma fatos de irreparáveis danos em piadas, levando seus admiradores a achar graça das nossas desgraças.

As palavras de líderes que insistem em demonstrar a verdadeira situação do país entram por um ouvido e saem pelo outro sem apresentar resultados. Pareceres e artigos de juristas e personagens de conduta ilibada que tratam de questões políticas são criticados por líderes desqualificados que mal conseguem contestar os fundamentados argumentos, e só falam asneiras e arrotam sabedoria de botequim.

Todos sabem que a origem da violência está ligada a questões sociais, políticas e religiosas. As religiosas, por subjetivas, tornam a violência dos seus fiéis a incompreensíveis atos que, com certeza, não podem ser avalizados por seus deuses. As sociais e políticas são da responsabilidade dos governantes, e, apesar dos esforços dos pacifistas, como Barack Obama e Angela Merkel, os líderes da guerra mundial moderna e fracionada, seguem massacrando populações civis, destruindo cidades e monumentos em nome não de bons deuses, mas de deuses diabólicos que eles dizem representar a ferro e fogo.

E assim segue a humanidade em direção ao seu trágico destino de mais um confronto total entre fanáticos que arregimentam idiotas para a consecução dos seus desígnios e governantes encarregados de garantir as vidas de seus compatriotas.

Os confrontos na Síria, Afeganistão, Ucrânia, Cisjordânia e países da África, são frutos da intolerância de seus vaidosos líderes que provocam a fuga de milhões de seres humanos que abandonam suas cidades e buscam refúgio em países distantes; a agressiva posição de Israel em relação aos Palestinos é outro fato que ressalta a intolerância do mais forte contra o fragilizado povo que só possuí contra o opressor o seu corpo e pedras recolhidas da terra inóspita.

Na África, déspotas ignorantes são protegidos por líderes mundiais interessados em suas riquezas e não no desenvolvimento do seu povo que, há milênios, é explorado à exaustão.

Os bandidos do “Caramujo” são similares aos tresloucados líderes políticos que matam, espancam, prendem inocentes e opositores, subjugam o poder legislativo e o poder judiciário e controlam as forças armadas. O mundo é um rastejante e nojento caramujo.

Brasília, 07 de outubro de 2015.

Paulo Castelo Branco.

Publicado no Diário do Poder em 08.de outubro de 2015. www.diariodopoder.com.br   - Autorizada a publicação com indicação da fonte www.blogpaulocastelobranco.com.br

 

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