Naufrágios

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Duas naus naufragaram nesses dias. Uma delas, o “Concórdia”, navio escola canadense que fazia volta ao mundo com estudantes. A outra, a da discórdia, a “Nau dos Insensatos”, que fazia a viagem dos sonhos de muitos que fingem trabalhar em prol do povo e se apoderam dos cofres públicos em seu próprio benefício.

O naufrágio do Concórdia tem muito a ensinar aos nossos grumetes da “Nau dos Insensatos”, especialmente no item sobrevivência. O comandante do navio, experiente lobo do mar, afirmou que o acidente deveu-se ao fenômeno climático conhecido como “microburst”, um vento muito forte que atinge a parte superior do navio, onde ficam as velas. “– Já sabíamos que o tempo climático estava ruim, com chuvas e ventos, mas acreditávamos que seria mais um dia normal. Esse fenômeno não tem como ser previsto. Sei que muitos navios já se acidentaram por causa dele”, disse o comandante.
Já na “Nau dos Insensatos”, apesar de saberem que o tempo estava ruim, o comandante, além de inexperiente, usava as vestimentas inadequadas e não possuía discernimento para distinguir entre um vento forte e uma marola. Por isso confiou que superaria a tempestade e afogou-se antes mesmo do barco adernar.
O naufrágio do Concórdia comprovou que é necessário muita capacidade de liderança, treinamento e, acima de tudo, companheirismo. Os jovens estudantes do navio se uniram pelo bem de todos e conseguiram, na tragédia, aplicar os ensinamentos adquiridos." – Durante o tempo que viajávamos no navio aprendemos lições de sobrevivência, mas nessa hora você sempre pensa na vida e na morte. Mas graças a Deus, deu tudo certo”, declaram as jovens, com sorrisos nos lábios. Venceram o desastre e, agora sabem que todos podem sobreviver às intempéries desde que possuam solidariedade, respeito pelos demais e vontade de servir.
A história do naufrágio da “Nau dos Insensatos” é diferente. O vento que a atingiu veio junto com a tempestade que afundou o pequeno e medíocre barco de pesca que navegou tranqüilo enquanto não surgiu, das profundezas do oceano, o maremoto que, num vagalhão, afogou o comandante-mirim da embarcação que estava sentado, pescando bagrinhos para se alimentar. Os bagrinhos não sabiam que grandes tubarões estavam escondidos, prontos para engolir o que restasse. Os bagrinhos recebiam migalhas, e o comandante-mirim, restos embrulhados em papel pardo. – Ah! Ótimo, repetia o comandante, com os olhos esbugalhados, achando que iria formar grande fortuna, pegando só pequenos fragmentos do grande tesouro submerso.
Os tripulantes da “Nau dos Insensatos”, quando a borrasca os atingiu, correram para colocar seus coletes salva-vidas para depois buscarem um lugar nos botes de resgate. Não havia espaço para todos. Alguns caíram no mar e foram levados pela correnteza junto com o pescador-mirim; outros, sobreviventes, empurram de um lado para o outro, aqueles que conseguiram boiar.
No meio da tempestade, a minoria que aprendeu as regras da sobrevivência e do respeito ficou na nau e tenta, de todas as maneiras, impedir que o naufrágio se complete. A “Nau dos Insensatos”, apesar das aparências indicarem que ainda está sobre as águas, adernou, só falta afundar de vez.
Quando as águas da limpeza invadirem os porões da “Nau dos Insensatos”, os tripulantes que ainda se escondem sob os beliches inundados colocarão a cabeça de fora em busca de ar; nessa hora, será um deus-nos-acuda como acontece em todas as tragédias. Cada afogado tentará arrancar a bóia das mãos dos que chegaram primeiro. Será luta de vida e morte e, no final, poucos conseguirão chegar à terra firme.
Os jovens do “Concórdia” não devem saber que foram salvos pelo trabalho eficiente da Marinha de um país que vive – num local sem oceanos –, um verdadeiro mar de lama que afunda reputações, prestígio e famílias. Um mar repleto de velas não enfunadas. Velas que não nos fazem navegar por mares tranqüilos. São velas que significam dor e desalento. Que suas luzes sirvam para iluminar novos caminhos.
Nesses dias decisivos para a vida de Brasília, contamos que nossos magistrados, acostumados a olhar o destino do alto da gávea com suas lentes potentes, nos levem ao porto seguro. Que a “Nau dos Insensatos” vá para as profundezas, levando seus piratas e os afogando nas águas fétidas dos delírios do poder e do dinheiro.

Brasília, 22 de fevereiro de 2010.
Paulo Castelo Branco.

 

Publicado na revista Brasília em Dia de 27.02.2010 – www.brasiliaemdia.com.br
Autorizada a publicação – www.paulocastelobranco.adv.br

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Dez 27, 2017
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