Blog Paulo Castelo Branco

WANDA NÃO FOI ÀS MANIFESTAÇÕES

Ao assistir as manifestações contra o seu governo, a presidente Dilma deve ter ficado frustrada por não poder estar no meio do povo exigindo o fim da corrupção e a prisão dos ladrões do dinheiro público.

Nas recordações mais distantes da presidente estão a sua vida de militante no combate à ditadura. Naqueles tempos, com a mente ainda em formação, a então Wanda,  sonhou os sonhos de milhares de jovens que decidiram pegar em armas para assumir o poder como  fizera Fidel Castro em Cuba. Estes jovens imaginavam uma pátria onde todos seriam iguais e o poder emanaria do povo, como pregam constituições mundo a fora. Seria a pátria amada com suas riquezas repartidas entre todos, e o governo exercido sem tirania. Seria a felicidade geral da nação.

Cuba, a maravilha, depois da vitória em nome do povo, se transformou em ditadura igual as outras, oferecendo a igualdade na pobreza, onde o menos vale mais, e o desenvolvimento individual é considerado pernicioso à sociedade.

A luta pela instalação da sociedade mais justa continuou e Wanda desapareceu com as suas fictícias companheiras de luta: Estela, Patrícia, Luíza e Patrícia. No lugar delas, ressurgiu Dilma, a eficiente e intolerante defensora dos direitos de todos.

A nova Dilma, apadrinhada pelo revolucionário Leonel Brizola, adaptou-se ao momento político da época, ingressou na vida pública pelas mãos de seu mentor, tornando-se gerente eficiente, como era reconhecida até assumir a presidência da República, onde chegou, desta vez, apadrinhada por Lula, o personagem sobre quem Brizola dissera: "Lula, para chegar ao poder, pisa até no pescoço da mãe!" Dilma deve ter gargalhado e concordado com a frase.

Hoje as proféticas palavras de Brizola devem atormentar as suas noites de insônia sentindo o peso dos pés de Lula sobre o seu pescoço, e ouvindo as vozes das ruas contra o seu governo.

A presidente é um Midas invertido; tudo o que toca se transforma em lata, isso para usar uma expressão educada atendendo a propaganda da pátria educadora. Os discursos que faz a presidente não sensibilizam o povo, provocando manifestações instantâneas como os panelaços que ocorrem a cada fala dela ou de seus ministros.

Se Wanda tivesse participado das manifestações em Brasília veria que a mudança sonhada na juventude estava na Esplanada dos Ministérios, nas vozes, nos apitos e nos apupos da multidão. Famílias inteiras participaram do ato cívico; cabeças grisalhas se misturavam com os cabelos revoltos dos jovens. Crianças, velhos, jovens, homens e mulheres faziam coro às palavras de ordem.

Em meio aos que só desejam um governo honesto e eficiente, foram vistos personagens estranhos à democracia vestidos em disfarçadas roupas de combate a sugerir a volta de governos de exceção. Um grupo com bandeira do Império, também circulava em paz. Não houve baderna durante a manifestação, e, como na Revolução dos Cravos, policiais da segurança pública foram homenageados. Deu tudo certo, a democracia se fortaleceu. Só faltou Wanda, que ficou protegida na segurança do Palácio. Na segunda-feira, no meio da tarde, após a reunião que fez com seus ministros, de surpresa - para não provocar panelaços­ - a presidente falou à nação através da mídia oficial. Seguiu as orientações dos experimentados políticos, as quais deve ter acolhido contrariada. O povo não a ouviu!

Brasília, 16 de março de 2015.

Paulo Castelo Branco.

Autorizada a publicação com indicação da fonte  www.blogpaulocastelobranco.com.br

15 DE MARÇO, DIA DE SÃO LONGUINHO

São Longuinho é invocado com a finalidade quase que exclusiva de encontrar coisas perdidas. Muito embora não se saiba exatamente se ele existiu, ou quem foi São Longuinho, a sua imagem é encontrada com fácil regularidade. Trata-se de um homem vestido como um monge e que traz na mão direita, levantada até a altura do rosto, uma lanterna. O devoto reza e faz o pedido a São Longuinho, e ao achar a peça perdida, deverá dar três pulinhos e gritar "São Longuinho".

No dia 15, São Longuinho será invocado pelos brasileiros que perderam a esperança, por terem sido enganados pelo discurso da candidata que lhes garantia mundos e fundos se fosse reeleita. Escolhida, a presidente abriu o saco de maldades e fez tudo ao contrário do que havia prometido e, sem o respaldo de seus aliados, empurrou o país para uma das maiores crises, desde a descoberta do Brasil.

As manifestações previstas para o dia 15/3/2015, ao que tudo indica, servirão para que aliados e opositores saiam às ruas para protestar contra a má administração da presidente Dilma, e a roubalheira que tomou conta das mais respeitáveis instituições do país.

Os aliados da presidente aí compreendidos o PT, o PMDB e agregados, a UNE, a CUT, além, é claro, dos omissos ou silentes como a OAB, a ABI e a CNBB, que, por vários motivos também se manifestam moderadamente contra a corrupção e a tal da roubalheira.

Os opositores, apoiados de forma encabulada pelo PSDB, DEM, PPS e PSB, recebem a força dos 51 milhões de votos de Aécio Neves e da maioria dos demais 100 milhões de brasileiros que não votaram, mas não deixam de ser cidadãos com direito a serem governados por gente competente em todos os níveis da administração pública; afinal, eles geram riquezas que também estão sendo gatunadas.

A invocação a São Longuinho, para que recuperemos o que perdemos é a prece que a população deverá fazer nas ruas. Já se sabe que não adianta só bater panelas vazias, pois os contratados virtuais dos marqueteiros os acusarão de ricos, burgueses e admiradores de Aécio e FHC. A acusação de ricos não pega naqueles que irão às ruas, uma vez que, nos dias de hoje, os ricos mesmos são os gerentes de estatais que se dispõem a devolver milhões de reais na primeira inquirição da Polícia Federal.

Quanto a burgueses é possível que milhões deles estejam representados pelos beneficiários dos programas sociais, insatisfeitos com as limitações econômicas impostas pela falta de um gerente competente na administração dos cofres públicos.

 

Os três pulinhos que devem ser dados quando encontrado o que se perdeu, se multiplicarão no dia de São Longuinho, e farão estremecer o país, seja em Brasília, nas capitais, nas mais distantes cidades, nos bairros, nas comunidades, e em cada rua; como pretendem brasilienses que estão programando - preocupados com as ameaças de violência de milícias do MST convocadas pelo seu líder Lula – sair de suas casas, em suas próprias ruas, e fazer manifestações isoladas de repúdio ao governo, divulgando as imagens nas redes sociais como o fizeram no panelaço de domingo passado. Haja reza!

Brasília, 12 de março de 2015.

Paulo Castelo Branco.

Publicado no “Diário do Poder” em 13.3.2015  www.diariodopoder.com.br Autorizada a publicação com indicação da fonte  www.blogpaulocastelobranco.com.br

LULA, O NEGATIVADO

O ativista cultural Luiz Inácio precisa procurar um desses bancos que oferecem empréstimos mesmo a pessoas que estejam com crédito proibido pelo não pagamento de dívidas; são os negativados.

Desde a roubalheira do “Mensalão” que Lula, ora reconhece, com vergonha, as falcatruas de seus companheiros, ora as nega com veemência. Foi assim na entrevista que deu num luxuoso hotel em Paris em que inventou o tal de “Caixa 2” para justificar a grana que comprou votos no Congresso Nacional. Depois, assustado com a possibilidade de também ser envolvido nas investigações da Polícia Federal e do Ministério Público, na maior desfaçatez, disse desconhecer qualquer ação de agentes públicos na distribuição de dinheiro aos parlamentares.

Naquele tempo, o ex-presidente, com a ajuda de oposição, se safou quase incólume, só com alguns arranhões em seu passado ético e de político respeitado mundialmente. Agora, depois de sair às ruas para conseguir reeleger a sua criatura, o político democrata regrediu e voltou a ser sindicalista agitador para incitar a violência e o desrespeito às leis e à democracia.

O discurso irascível e irresponsável de Lula contra as manifestações populares que são preparadas contra o governo Dilma para o dia 15 de março indica que os companheiros estarão dispostos a trazer de volta as ações trogloditas contra as privatizações que tornaram o Brasil um país desenvolvido e estável politicamente.

O ex-presidente que já foi reconhecido como o “cara” por Obama, hoje se transformou em consultor de empresas e vive saracoteando por aí fazendo prospecção de novos negócios em países comandados por ditadores prontos para fingir construir obras para o povo com recursos do erário brasileiro; um verdadeiro Carnaval. Os contratos secretos que garantem os empréstimos são uma vergonha nacional e devem ser vazados por funcionários públicos redatores de suas cláusulas. Se o fizerem, darão uma grande contribuição às investigações do Tribunal de Contas da União, do Ministério Público, da Polícia Federal e à Justiça provocando um novo grande escândalo.

O movimento popular contra o governo Dilma e Lula, não se restringirá às capitais ou grandes cidades. As redes sociais estão atingindo as pequenas comunidades e o povo está se preparando para breves manifestações em bairros, ruas e praças por todo o país.

Os paus de selfie estarão nas mãos dos manifestantes, multiplicando as imagens e convocando mais pessoas a engrossar a repulsa à corrupção e à má governança. Pode ser que as ameaças de Lula consigam inibir muita gente, mas, a grande massa popular, pacífica e democrática, estará unida nas ruas.

Após a manifestação, restará a Dilma rever o seu governo e buscar, na ação política, o caminho para retornar o Brasil ao seu destino de grande nação, e a Lula, moderar os seus arroubos de intolerância e voltar a ser o negociador hábil e democrático que o levou à Presidência da República; se não conseguir, que busque os especialistas em limpar o nome de pessoas em débito, pois está negativado perante os brasileiros.

Brasília, 3 de março de 2015. Paulo Castelo Branco. Publicado no Diário do Poder – 4.03.2015 www.diariodopoder.com.br - Autorizada a publicação com indicação da fonte – www.blogpaulocastelobranco.com.br

MONILIOPHTHORA PERNICIOSA

Este é o nome científico da conhecida “vassoura-de-bruxa” que arrasou a cultura do cacau na Bahia. A Unicamp está desenvolvendo um fungicida para combater a praga. O responsável pela equipe de pesquisa é o professor Gonçalo Amarante Guimarães Pereira que foi entrevistado pelo repórter Ailton Magioli do Correio Brasiliense.

A matéria poderia ter sido publicada na página de “Política” e não na de “Ciência”. É verdade que o resultado da pesquisa poderá erradicar a doença, e a Bahia voltar a ser a grande produtora de cacau. Na visão política, a “vassoura-de-bruxa” pode ser a praga que infectou o Partido dos Trabalhadores e o governo da presidente Dilma.

Nativa da Amazônia, a “perniciosa”, segundo o cientista, chegou à Bahia por introdução criminosa e ataca frutos, brotos e almofadas florais do cacau, provocando desenvolvimento anormal da planta, seguido da morte das partes infectadas.

O mesmo processo ocorreu com o PT; o partido, nascido nas bases do trabalhismo brasileiro, chegou prometendo mundos e fundos para cidadãos de todas as classes sociais. Com o discurso ético e inovador, conseguiu a participação de renomados intelectuais no seu compromisso político. Escritores, advogados, artistas, cientistas políticos, religiosos, encantados com carisma do líder Lula, apoiaram as ações corajosas do sindicalista.

Gonçalo, o pesquisador, chegou à região cacaueira em 1980 e pode ter sido um dos jovens que acreditavam ser possível acabar com a praga e, também, com governantes irresponsáveis e afastados dos reais interesses do país. Os cacauicultores não sabiam como combater a praga, e Gonçalo constatou que a doença poderia ser comparada com o parasita causador da malária, e, no ser humano, o câncer.  E, aí, surge mais uma comparação inevitável com o governo recém-eleito; diz o cientista “O governo em vez de declarar calamidade pública, preferiu emprestar a juros altos, endividando os cacauicultores”.

A tormenta que atravessamos nesses tempos, nos leva a recordar as palavras do candidato Aécio Neves que, ao contrário da candidata Dilma, afirmava que, eleito, faria as mudanças necessárias à retomada do crescimento econômico e social do Brasil. Não mentiu e não foi eleito. Agora, o governo faz tudo o que não faria e se desmoraliza perante o povo.

O resultado da pesquisa objeto da comparação com o governo é o mesmo apurado nas contas públicas. O fungo da corrupção se aloja no poder como a “perniciosa”. Na planta, algo estranho acontece no seu interior  – ou do governo – e começa a jogar substâncias tóxicas, procedimento similar ao escândalo da Petrobrás: algo estranho aconteceu na empresa que, seguindo o comportamento do fungo, desligou o metabolismo de crescimento e o gasto de energia para que não ocorresse a desintoxicação. A planta acumula quantidade tão grande de substâncias tóxicas que acaba, ela mesma, intoxicada.

Não há como não reconhecer o malabarismo do governo para se livrar das investigações que, a cada dia, chegam mais perto do palácio presidencial. Os acusados tentam desligar o metabolismo de crescimento das apurações da roubalheira e o gasto de energia para que não ocorra a desintoxicação nos negócios públicos.

A descoberta da solução para o problema também servirá para que o governo se salve. Com a colaboração de um cacauicultor baiano – sem nenhuma relação com o “Petrolão" – Gonçalo aprendeu, na prática, como proceder para que a planta – ou o governo – volte a ficar saudável: antecipar a poda da planta, enganando o fungo. No caso, podar todos os políticos e agregados que insistem em continuar atacando os cofres públicos, se não, a “vassoura-de-bruxa” ficará por todo o mandato arrasando o país.

Brasília, 24.02.2015.

Paulo Castelo Branco.

Publicado no Diário do Poder - 25.02.2015 - www.diariodopoder.com.br    Autorizada a publicação com indicação da fonte - www.blogpaulocastelobranco.com.br

50 TONS DE VERMELHO

 

O PT de antigamente perdeu duas das suas mais importantes conquistas: a luta pelos direitos dos trabalhadores e a ética na política. O vermelho vibrante deu lugar ao cinza que é o que restou do velho discurso.

 

Recentemente, o ministro Almir Pazzianotto, profundo conhecedor da origem do Partido dos Trabalhadores, escreveu e publicou no Correio Braziliense texto intitulado " Gangsterização do Petismo". Pazzianotto foi advogado do sindicato nascedouro do PT e descreve com riqueza de detalhes a ascensão e queda do pretensioso reich que deseja nos  submeter a longo período de domínio, tal qual governos que guilhotinam o povo de alguns dos nossos vizinhos.

 

Diz o experiente escriba: "É cruel acompanhar a catástrofe petista que, como tragédia grega, já se sabe como acabará, mas não há com o evitá-la. Aos 35 anos de vida, em plena maturidade, o partido que um dia se arvorou ser imaculado vive o drama da desmoralização provocada por escândalos e desmandos em série, cujos protagonistas estão entre fundadores e dirigentes.
Quem se recorda dos primeiros anos da legenda, quando atraia o interesse de intelectuais, jornalistas, estudantes, e desiludidos de outras agremiações, com propostas de moralização, justiça social, erradicação da pobreza, não compreende o que aconteceu com pessoas antes respeitadas, hoje condenadas ou alvos de investigações e ações criminais por crimes infamantes."

 

Depoimentos como este, diariamente, são publicados na imprensa e nas redes sociais e são contestados por articulistas remunerados com dinheiro desviado, sabe-se lá de onde.

São partícipes da fundação do até então partido dos sonhos de qualquer nação que saem a público, desmitificando os líderes para apontá-los como responsáveis pelo maior roubo  do erário nunca visto antes em qualquer país civilizado.

 

O vermelho vibrante se transformou em verde e amarelo para, depois, com a descoberta da ponta do iceberg apelidada de "Mensalão", se transformar no cinza que hoje predomina nos seus governos. A incapacidade administrativa dos companheiros  e a sede em transformar tudo em ouro - mesmo o negro do petróleo -  os levou a causar a ruína da nossa maior empresa,  além de desvios ainda não apurados em outras empresas públicas.

 

Os brasileiros e brasileiras, ainda tolerantes com o assalto ao dinheiro público, neste Carnaval, saíram às ruas, pacificamente, para desmoralizar o governo central e os outros que seguem o pior exemplo. Nos blocos, a alegria de voltar a se divertir sem ajuda oficial serviu de válvula de escape para colocar pra fora a frustração de ganhar e perder.

 

Agora, as cores do partido estão mais para o preto e branco dos uniformes listrados usados pelos presidiários de antigamente. A impressão que se tem é que os administradores das penitenciárias usam a cor "laranja"em homenagem aos intermediários das falcatruas, por falta de coragem de usarem  o "vermelho".

 

O mais simbólico fato desses dias momescos é a projeção do filme "50 tons de cinza" que chegou às salas de cinema com perspectivas de recorde de público. O filme, segundo as notícias, é a historia de um psicopata milionário que seduz uma jovem e, com o consentimento dela, a submete à prática de sadomasoquismo; mais ou menos como estamos nós , brasileirinhos e brasileirinhas, pois foi com o consentimento de escassa maioria, que temos os olhos cobertos, somos algemados e submetidos a todo tipo de sofrimento.

Não assisti ao filme e não sei o final, mas pego a frase de Pazzianotto  para concluir sobre a nossa tragicomédia: "É cruel acompanhar a catástrofe petista que, como tragédia grega, já se sabe como acabará, mas não há como evitá-la."

Brasília, 18 de fevereiro de 2015.

Paulo Castelo Branco.

Publicado no Diário do Poder - Cláudio Humberto - www.diariodopoder.com.br 20.02.2015

Autorizada a publicação com indicação da fonte - www.blogpaulocastelobranco.com.br

 

BLOCO DE SUJOS

Nos velhos carnavais, especialmente no Rio de Janeiro, os blocos saiam às ruas sem nenhum patrocínio. Moradores dos bairros mais animados formavam seus grupos, faziam as marchinhas que seriam a base da festa e caiam na folia.

Há, ainda, blocos tradicionais que continuam a sair pelas ruas comemorando a mais importante manifestação popular brasileira. Dois desses blocos reúnem milhares de pessoas descontraídas e fantasiadas: “O Bola Preta” e o “Simpatia é quase amor”.

O Bola foi fundado em 1918 e é o mais antigo bloco de carnaval do país. Segundo os seus dirigentes, o bloco já conseguiu reunir dois milhões de pessoas. A marca registrada do bloco é a sua marchinha famosa pelo verso “Quem não chora não mama”, hoje, muito usado na política, composta por Nélson Barbosa – não é o ministro - e Vicente Paiva. É um bloco que representa muito bem o espírito e a graça do povo brasileiro.

O “Simpatia é quase amor” é fruto de alguns rubro-negros que decidiram formar o bloco na Zona Sul da cidade. O bloco faz o maior sucesso pela quantidade de gente bonita e descontraída; completou 31 anos e parece que ainda vive a juventude dos seus criadores.

A grande característica desses aglomerados de foliões é a inexistência de dinheiro público para pagar despesas. Cada um paga o seu e, se surgir alguém interessante, o da parceira ou parceiro. É fato que empresas, como já fazem em campanhas políticas, aproveitem o Carnaval para fazer propaganda; de modo geral são as que descem redondo, uma Antártica da Brahma ou a melhor do verão.

Alguns prefeitos ainda injetavam alguma grana para ajudar o evento mas, com as ações dos órgãos de controle, a cada dia a coisa fica mais difícil. E o melhor é sair fora do rolo e ficar livre e sem máscaras.

O grande prejuízo do Carnaval popular foi quando governantes decidiram organizar a festa e construir monumentais espaços para os desfiles das escolas de samba e confiná-las nos sambódromos.Parece que, com os cofres públicos à mingua, a descontração de poder malhar os governantes será mais divertida.

É caso dos blocos que saem às ruas de Brasília e empurram multidões para fora de suas casas para pular alegremente. O mais tradicional é o “Pacotão”que nasceu como uma forma ousada de combater a ditadura e, hoje, senta a lenha nos governantes, sem dó nem piedade.

Não se pode esquecer dos “Blocos de Sujos” formados por gente sem grana que sai para fazer farra e bater tambor. Esses blocos cantam uma marchinha antiga que diz:

“Olha o bloco de sujo, Que não tem fantasia, Mas que traz alegria, Para o povo sambar, Olha o bloco de sujo,Vai batendo na lata, Alegria barata,
Carnaval é pular. Olha o bloco de sujo, Que não tem fantasia, Mas que traz alegria, Para o povo sambar, Olha o bloco de sujo, Vai batendo na lata, Alegria barata, Carnaval é pular.Plác, plac, plac, Bate a lata,Plac, plac, plac, Bate a lata, Plac, plac, plac,Se não tem tamborim, Plac,plac, plac, Bate a lata,Plac, plac, plac,Bate a lata,Plac, plac, plac,Carnaval é assim !...

Neste Carnaval, com tantos motivos para criticar os governantes, é bom que não gastem dinheiro público em festividades, estádios majestosos e obras inacabadas que prejudicam o povo e lhe tira a alegria, especialmente quando um gestor público devolve U$100 milhões num piscar de olhos. Este não vai sair no Carnaval, ficará atrás das grades na companhia do seu “Bloco de Sujos”. Dançaram!

Brasília, 10 de fevereiro de 2015.

Paulo Castelo Branco

Publicado no Diário do Poder - Cláudio Humberto - em 12.02.2015 - www.diariodopoder.com.br   - Autorizada a publicação com indicação da fonte. www.blogpaulocastelobranco.com.br

 

 

 

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Todo Homem nasce livre e, por toda parte, encontra-se acorrentado.
(Rousseau)


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